e-Learning: Novos Formadores e Novas Competências?
Publicado a Abril 2, 2009
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(Autor: Mário dos Santos Martins)
O rápido crescimento e desenvolvimento dos Sistemas de Informação e Comunicação podem provocar mudanças profundas nos métodos e técnicas pedagógicas e nos processos de comunicação nos sistemas de ensino e formação. O recurso a estas tecnologias, a ambientes virtuais e a oferta diversificada de cursos online, apontam no sentido de uma
reestruturação desses sistemas.
As áreas da Educação e da Formação são aquelas que menos têm evoluído ao nível da implementação prática de métodos de ensino inovadores de forma a explorar as potencialidades da aprendizagem electrónica.
A mudança do paradigma educativo e formativo, que se reflecte na mudança do papel, funções do professor/formador e mesmo na relação pedagógica com os alunos/formandos não é isenta de dificuldades e condicionalismos. Os próprios professores e formadores podem desenvolver atitudes de resistência tecnológica e pedagógica, como consequência de alguma iliteracia digital ou ideias pré-concebidas em relação, por exemplo ao e-Learning. Existe, desta forma, uma necessidade básica de formação e de certificação, de novos profissionais que saibam utilizar as tecnologias de informação e comunicação, de manejar as ferramentas de concepção de conteúdos, assim como as plataformas de e-Learning no contexto da formação.

É, de facto, necessário que os agentes de formação tenham uma atitude positiva face à utilização das TIC e não neguem o seu uso (Lagarto, 2006:4). A passagem de formadores da formação presencial para o e-Learning é muito complexa, uma vez que implica uma profunda mudança de paradigma de formação (Carneiro e outros, 2003:83).
Utilizamos a expressão e-Formador no sentido de estabelecer uma distinção entre os formadores de formação presencial e os formadores que exercem a sua actividade no sistema e-Learning. Existem, contudo, diferentes definições de e-Formador resultantes das perspectivas de análise dos diferentes intervenientes e profissionais no domínio do e-Learning. Surgem termos como e-professor, e-moderador, e-tutor, tutor online, formador virtual e que de uma forma geral são utilizadas, como afirma Rodrigues (2004:73) de forma indiscriminada. Para este autor a designação de e-Formador é a pessoa responsável por orientar, monitorizar e avaliar uma acção de formação em regime de e-Learning.
O e-Learning como novo cenário de formação, para além de novos desafios no que concerne às funções didácticas do formador veio (re)lançar todo um conjunto de problemáticas nomeadamente no que diz respeito às competências exigíveis aos e-Formadores, ao seu papel enquanto potenciais autores de e-conteúdos e à natureza das relações dos
e-Formadores com as instituições de formação (Dias e outros, 2004:115).
Podemos afirmar que o papel dos formadores evoluiu. Têm que assumir, actualmente, tarefas em novos domínios e nesse sentido devem receber uma formação específica para o ensino electrónico. Para assegurar um ensino num ambiente virtual de aprendizagem requer competências de ordem tecnológica e organizacional, mas também novas qualificações que permitam aplicar métodos didácticos apropriados (Scheuermann, 2002).
Também, como afirma Ferrão (2007) com o ensino e a aprendizagem electrónica, surgem novos papéis e novos actores, num projecto de formação mais complexo no domínio da estruturação, do desenho e do desenvolvimento conceptual pedagógico e informático. O que muda, particularmente, no desempenho do formador em contexto virtual de aprendizagem é a relação de espaço, tempo e comunicação com os formandos. O espaço deixa de se limitar á sala de formação e projecta-se num universo virtual; o tempo aumenta para enviar e receber informação em qualquer momento; o processo de comunicação é mais abrangente, socorrendo-se de ferramentas síncronas e assíncronas. Torna-se evidente, que exigirá uma maior dedicação e trabalho por parte do e-Formador, mais tempo na planificação, preparação e acompanhamento do processo formativo e por fim um maior apoio de uma equipa técnico- pedagógica, necessariamente multidisciplinar (Ramos, 2006).
As funções formativas associadas ao e-Formador vão desde a concepção e organização da formação, o planeamento do processo de ensino-aprendizagem, a leccionação e acompanhamento do processo de ensino-aprendizagem, a criação e conteúdos, até a avaliação. Outra das funções principais do e-Formador é promover e desenvolver as diferentes interacções que se estabelecem durante o processo formativo:
- interacção formador-formandos
- interacção entre formandos
- interacção formando e conteúdos pedagógicos
- interacção entre o formando e a plataforma de aprendizagem
- interacção entre o formador e a plataforma de aprendizagem
Em suma, as tecnologias da informação e comunicação desencadearam novas estratégias de difusão da informação e novos modelos de comunicação, modificando atitudes e comportamentos face à formação. Este novo cenário da formação cria novos desafios e ao mesmo tempo vem (re)lançar novas discussões e novas problemáticas relacionadas com as funções didácticas do formador, as competências tecnológicas e a autonomia exigíveis aos e-Formadores e aos e-formandos (Dias, 2007:8).
Perante esta nova realidade, será necessário rever o Perfil do formador, bem como definir e certificar novos perfis, que respondam à necessidade de gerir de forma mais eficaz e com mais qualidade o processo formativo.
A carência de e-Formadores especializados, a relativa oferta de formação de e-Formadores e inexistência de um perfil profissional e certificação de e-Formadores podem colocar em causa a qualidade e eficácia do ensino e aprendizagem em sistema e-learning e comprometer o seu desenvolvimento.
O elevado potencial de crescimento do e-Learning em Portugal, exigirá uma análise mais profunda das novas competências e funções dos e-Formadores, das necessidades e conteúdos de formação, dos métodos pedagógicos, da própria organização e desenvolvimento das actividades de formação.
Bibliografia
Carneiro, Roberto (coord.) (2003), A evolução do e-learning em Portugal: contextos e perspectivas, Universidade Católica Portuguesa, INOFOR, Lisboa.
Dias, Ana (2007), O e-Learning e a Formação ao Longo da Vida, Newsletter MeIntegra, nº 3/2007.
Ferrão, Luís; Rodrigues, Manuela (2006), Formação Pedagógica de Formadores, 7ª Edição, Lidel, edições técnicas.
Lagarto, José (2006), Novos Papéis dos Formadores face às TIC, Revista Formar, nº 55, IEFP.
Ramos, Maria Clara (2006), Ser Formador em Contexto Virtual de Aprendizagem, Revista Formar, nº 54, Janeiro-Março 2006, IEFP.
Scheuermann, Friedrich (2002), Rumo à educação do Futuro, Formação Profissional, revista europeia, nº 27 de Setembro-Dezembro 2002, pág.3-14,CEDEFOP, MSST.
Silva, Ana; Gomes, Maria João; Rodrigues, Eloy e outros (2004), “ E-Learning para e-Formadores”, TecMinho, Universidade do Minho.
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“… Existe, desta forma, uma necessidade básica de formação e de certificação, de novos profissionais que saibam utilizar as tecnologias de informação e comunicação, de manejar as ferramentas de concepção de conteúdos, assim como as plataformas de e-Learning no contexto da formação…”
Força Mário Martins, isto assim vai lá!
Talvez acrescentasse apenas o seguinte:
-Ensinar os autores a converterem os seus materiais da formação presencial para reutilização no estudo online, com ou sem LMS, na Internet ou numa Intranet.
Ou ainda, que nós, formadores tradicionais, já sonhamos em criar conteúdos em casa e distribuí-los pelos nossos formandos do IEFP ou das Escolas, nos LMS’s do Estado ou nossos, para o Estado ter menos custos.
Talvez assim possamos trabalhar mais de 30 horas por semana, não é?
Ou gastarmos menos com as deslocações de um local de formação para outro.
Ai se o Obama lê isto!
Um abraço do Rui.
Muito interessante o tema em apreço, de facto realço a importância de nós ( formadores tradicionais)possuirmos qualificações para exercermos uma formação eficaz e produtiva em regime e-learning. Estudo na Universidade Aberta neste tipo de regime, e sem dúvida que considero que desta forma, estamos cada vez mais perto de traçar um caminho profícuo em direcção à uma melhor formação e educação.
Debrucei-me um pouco sobre o tema em questão…visitem o meu blogue!!
http://www.eduneting.blogspot.com/
Não tenhamos dúvida que a formação passará inevitavelmente pelas TIC, não há problema algum em nos adaptarmos,acredito que todos teremos essa capacidade evolutiva, todavia fica-me a dúvida ou a m/ignorância da forma como vamos ser pagos pelo trabalho desenvolvido através da formação dada em e-learning, quem souber responder faça o favor de nos elucidar.
Cumprimentos
Eu sou formadora e.learning…. e estou encantada com esta nova possibilidade de partilha de conhecimentos.
Estou a dar formação, em horario laboral, a engenheir@s, arquitect@s, juristas, urbanistas e afins.. em direito do urbanismo (RJUE).
A formação não vai promover ninguem profissionalmente, nem aumentar-lhes os ordenados…. mas consegui uma motivação de tal ordem nos formand@s, que dizem que estao a correr a maratona, queixam se que à custa do curso ainda perdem o emprego e o namorado.. e ontem, sabado, da meia noite até as quatro da manha, nao pararam de me enviar os trabalhos desta semana, com pedidos de desculpa por terem ultrapassado a hora de entrega à meia noite.
Dizem que nunca trabalharam tanto.. e, verdade se diga, o mesmo acontece comigo, nunca trabalhei tanto! É um circulo vicioso: eu puxo por eles e eles puxam por mim.
Não entendo… gostava de saber o que os faz correr..
Caro Mário Martins
Plenamente de acordo, fundamentalmente, agora que me profissionalizo nesta modalidade na UAB.
Porém, algumas resistêncais (minhas ou das entidades adjudicantes da formação):
1. persiste a modalidade presencial quando nos contactam para ministrar formação;
2. constata-se alguma/bastante resistência na adopção de métodos inovadores e, mesmo naqueles que já são os habituais (presencial), os meios mais elementares escasseiam;
3. infelizmente, constato uma diminuição na qualidade da formação (ciclo vicioso: entidades e formadores)….
Até breve,
Rosalina
Bom dia,
Brevemente vou iniciar a minha actividade profissional na área do e-learning, mas confesso que não tenho as competências necessárias para o desenvolvimento das actividades. Gostaria de saber se me consegue informar onde existe algum tipo de curso vocacionado para essa área.
sou da região de Coimbra e pretendia algo não muito longe.
Muito Obrigada.
Bom dia,
Estou interessada em fazer a formação inicial de formadores, não sei se hei-se optar pela vertente e-learning o presencial…Quais as vantagens e desvantagens? Só se pode depois dar formação e-learning o podemos dar formação presencial? Não sei se me expliquei bem…
Obrigada.
Paula
Se é formação Pedagógica Inicial de Formadores não interessa a modalidade de formação. Ou seja, é formadora certificada, terá o CAP. Eu pessoalmente, nesta fase da minha vida optava pela modalidade de b-Learning. Combina a formação presencial com o e-learning. Iria contactar com novas metodologias de formação; novas tecnologias…
Cumprimentos
Mário Martins
Concordo no geral, Mário. Mas também concordo com a Rosalina, particularmente no seu ponto 3 - menor qualidade da formação, sobretudo no que diz respeito à formação comportamental, que assim fica bem aquém das potencialidades do regime presencial; e mais limitada ainda, quando permeável a mil e um mal-entendidos que sempre ocorrem à distância. O seu humano também vive de expressões, olhares e “espelho social” que, quanto mais directo, mais inibidor pode ser, importando aprender a gerir isso também. Qualquer dia já ninguém sabe falar com/para ninguém… Aumentam as fobias sociais, diminui o contacto directo, e não sei se isso não virá a ter sérias consequências a breve trecho. Se já há hoje tanta gente que não detém capacidades para falar em público, nem maturidade emocional para não reagir de forma negativa à pressão que a presença do outro exerce sobre ele, não sei se assim caminhamos para uma sociedade mais empática ou bem mais distante… Bom, não quero ser uma profeta da desgraça (lol), apenas chamar a atenção para este fio solto de uma meada que, sem sombra de dúvida, cada vez mais se enreda, numa sociedade de informação tão mais complexa do que há poucos anos atrás. Faço sentido?
Um grande abraço.