Educação Sexual
Publicado a Junho 9, 2009
Na categoria Entidades Formadoras, Na Crista da Onda |
Mafalda Carvalho
FILME Vencedor Educação Sexual
“ (…) Uma mulher jovem toma determinadas decisões com o apoio dos seus pais, mas, infelizmente, sabemos que existem muitas razões pelas quais isso não acontece”. (Gill Greer, Secretária Geral da IPPF)
“Todos os jovens têm o direito à educação, saúde e segurança. Se lhes for dada informação, escolhas e oportunidades, viverão vidas mais saudáveis e produtivas. As pessoas jovens de todo o mundo são um recurso criativo e energético que devemos cultivar e cuidar. São os agentes das mudanças de hoje e os líderes de amanhã e devemos apoiá-los para que atinjam o seu potencial máximo…” (Thoraya Ahmed Obaid , Directora Executiva do UNFPA).
A sexualidade descobre-se e constrói-se ao longo de toda a vida, daí que seja, desde há muito tempo, apregoada a importância da Educação Sexual. É importante definir conceitos por detrás desta “nova/velha moda”. A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu Sexualidade deste modo:
“É uma energia que motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade; integra-se no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados; é ser-se sensual e ser-se sexual.
A sexualidade influencia pensamentos e, por isso, influencia também a saúde física e mental.”
É possível, através desta definição, perceber que a sexualidade é muito mais que o acto físico a que corresponde. A componente afectiva é também primordial, no que respeita à construção do nosso “eu” e do nosso dia-a-dia. É um conceito muito abrangente, que aborda e contém, em si mesmo, várias dimensões: biológica, psicológica, emocional, afectiva, social. É esta abrangência que permite a escolha de relações gratificantes e duradouras.
Somos bombardeados frequentemente com referências à sensualidade, ao erotismo, ao sexo. É uma informação que esta acessível a todos, pequenos e graúdos, de modo que os mais crescidos têm um papel muito importante nesta matéria…Somos responsáveis pela informação e formação dos mais novos, daí que sejamos quase como que um filtro, uma vez que nem toda a informação veiculada e disponível é correcta. Todos os actores são responsáveis neste processo, na educação sexual, quer sejam pais, professores, educadores, etc. … Não podemos responsabilizar-nos do nosso papel… Os pais não devem delegar nas escolas tal apoio e ensinamento. O mesmo se passa com a escola, que não pode pensar que “educação sexual só em casa!” Ambos têm um importante e complementar papel. A família, porque é onde pode acontecer o primeiro contacto com a temática e porque é no seio deles que devemos sentir-nos seguros para perguntar o que quer que seja. É verdade que é um tema tabu para muitas pessoas, muitos deles nossos pais! Mas é importante que eles mesmos se consciencializem para a importância desta desmistificação, sob pena de não acompanharem devidamente o crescimento de seus filhos. A criança/ adolescente é ou deveria ser um prolongamento da família, no que concerne à difusão de informação útil, correcta e coerente. O esforço deve ser conjunto!
Deixo aqui alguns números mundiais alarmantes!
Temos, actualmente, a maior geração de jovens de toda a história da humanidade – quase metade da população mundial (cerca de 3 mil milhões de pessoas) tem menos de 25 anos.
Existem cerca de 1.2 mil milhões de adolescentes (10-19 anos).
82 milhões de raparigas nos países em desenvolvimento que têm hoje entre 10 e 17 anos estarão casadas antes de completarem 18 anos.
Em alguns países, a maioria das raparigas ainda casam antes dos 18 anos. Estes países incluem a Índia (50%), o Nepal (60%), o Níger (76%), a República Democrática do Congo (75%) ou o Afeganistão (54%).
Estima-se que 2,2 milhões de raparigas com idades compreendidas entre os 5 e os 15 anos sejam traficadas todos os anos para fins de exploração sexual, cerca de 50% dos crimes sexuais em todo o mundo são perpetrados contra raparigas adolescentes com 15 anos ou menos.
1 em cada 10 nascimentos em todo o mundo são de mães adolescentes,
Os filhos de mães adolescentes têm uma probabilidade 1,5 vezes maior de morrer antes de completarem um ano quando comparados com os filhos de mulheres adulta.
O risco de morte materna devido à gravidez em raparigas entre os 15 e os 19 anos é 4 vezes mais alto que aquele que ocorre durante as gravidezes de mulheres entre os 25 e os 29 anos.
As meninas têm uma probabilidade 5 vezes maior de morrer durante a gravidez ou parto do que as mulheres entre os 20 e 24 anos.
As complicações da gravidez e do parto são a principal causa de morte para as jovens entre os 15 e os 19 anos, sendo o aborto inseguro e o parto os factores principais.
Por razões fisiológicas e sociais, as raparigas entre os 15 e os 19 anos têm o dobro da probabilidade de morrer no parto do que as raparigas acima dos 20 anos.
Estes são alguns dados, quanto a mim, assustadores e sobre os quais devemos reflectir. Não devemos cruzar os braços, sob pena de, mais cedo ou mais tarde, nos apontarem um dedo à cara e dizerem “tu és o culpado/a”. A adolescência é um tempo para brincar, aprender e crescer em ambientes saudáveis, e por isso estruturantes para o seu desenvolvimento sócio – afectivo…É ou devia ser? É-o para muitos adolescentes, mas não para muitos outros…
Num mundo ideal, a educação é de tal forma prática corrente e enraizada que nem é necessário discutir e lutar tanto por ela… Basta viver o dia-a-dia de forma natural, que ela também se vive e manifesta da mesma forma. É com certeza melhor viver num mundo informado e que sabe informar! É assim, o meu mundo ideal…
Site de apoio bibliográfico: www.apf.pt
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Comentários
5 Respostas a “Educação Sexual”
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bom texto e bom filme. mas a verdade é que os prfessores já deram mais que provas de que falar de sexualidade para eles é uma tarefa muito dificil - já foi comprovado pelos media.
deixo aqui então um apelo ao ministério da educação: há muitos psicologos sem emprego e têm mais que qualificações para fazer formações sobre a temática adequadas ´`a faixa etária doa alunos. é altura de começar a colocá-los nas escolas os que têm formação na área clínica porque ter psicologo na escola não é só para CNO, orientação vocacional ou deficiências na aprendizagem; hámuitos problemas do foro emocional que são sistemáticamente ignorados. obrigado
Olá Alex,
obrigada pelo reforço!
fique bem
Também concordo quando refere a falta de preparação dos professores…parece-me um assunto tabu ainda para muita gente!até mesmo para muitos deles…mas temos que começar a reivindicar os nossos direitos e dos nossos filhos, de alguma maneira…sem unir esforços, nada feito!
Mafalda
No texto, onde aparece:”Não podemos responsabilizar-nos do nosso papel…”, leia-se “desresponsabilizar-se” onde aparece “responsabilizar-se”.
A autora
Mafalda
Olá!
Será que alguém me pode facultar o nome deste filme sobre Educação Sexual?
Obrigada
Telma